Líderes europeus discursam em Davos antes da chegada de Trump, com foco na Groenlândia
Os líderes europeus discursarão nesta terça-feira (20) no Fórum de Davos, antes da chegada de Donald Trump, que desestabilizou a ordem global e agora ameaça anexar a Groenlândia.
Todas as atenções estarão voltadas para o presidente americano esta semana na estação de esqui suíça, que, como todos os anos em janeiro, sedia o encontro de um multilateralismo que ele desafia há muito tempo.
Além da Groenlândia, outros temas críticos na agenda do Fórum Econômico Mundial incluem as crises em Gaza, Ucrânia, Irã e Venezuela, semanas após os Estados Unidos capturarem o presidente venezuelano agora deposto, Nicolás Maduro.
Representando a América Latina em Davos, estarão os presidentes argentino, Javier Milei; panamenho, José Raúl Mulino, e o equatoriano, Daniel Noboa.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente francês, Emmanuel Macron, discursarão nesta terça-feira, juntamente com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, cujos países também têm disputas com o governo americano.
Trump fará um discurso na quarta-feira e participará de outros eventos na quinta-feira.
A Europa considera possíveis retaliações depois que o presidente dos Estados Unidos ameaçou impor novas tarifas a oito países europeus - incluindo Reino Unido, França e Alemanha - devido ao impasse sobre a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca.
- "Temos que conseguir" -
Trump afirmou na segunda-feira que não acreditava que os líderes europeus "ofereceriam muita resistência" ao seu desejo de comprar a vasta ilha ártica, e disse a repórteres: "Temos que conseguir".
Ele também especificou que teve "uma ótima conversa por telefone sobre a Groenlândia com Mark Rutte", o secretário-geral da Otan, e que uma reunião seria realizada em Davos com "as diversas partes" envolvidas.
Trump alega a necessidade de proteger a Groenlândia de potenciais ameaças russas e chinesas, embora analistas afirmem que o papel de Pequim na região é limitado e enfatizem o interesse dos EUA na ilha devido à sua riqueza em elementos de terras raras e minerais.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que lidera a grande delegação dos Estados Unidos em Davos, alertou que uma ação de represália da UE "seria muito pouco sensata".
Ursula von der Leyen se reuniu na segunda-feira em Davos com uma delegação bipartidária do Congresso americano e declarou nas redes sociais que "ressaltou a necessidade de respeitar de forma inequívoca a soberania da Groenlândia e do Reino da Dinamarca".
O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que tentará se encontrar com Trump na quarta-feira. Merz observou que a Alemanha e outros países europeus concordam que "qualquer escalada nesta disputa deve ser evitada na medida do possível".
Macron, que deixará Davos nesta terça-feira sem se encontrar com Trump, propôs ao magnata que realizem uma cúpula do G7 na quinta-feira em Paris, para a qual sugeriu também convidar, "à margem da reunião", representantes de Dinamarca, Ucrânia, Síria e Rússia.
- Ameaças "inaceitáveis" -
As relações entre Trump e Macron ficaram ainda mais tensas na segunda-feira, quando o presidente americano ameaçou impor tarifas de 200% sobre o vinho e o champanhe franceses, depois que a França insinuou que não participaria do seu "Conselho de Paz".
Analistas comparam esse conselho, criado para resolver conflitos internacionais, a uma versão paga do Conselho de Segurança da ONU. Trump confirmou na segunda-feira que o presidente russo, Vladimir Putin, está entre os líderes convidados.
Os líderes da UE se reunirão na quinta-feira em Bruxelas para decidir como responder à crise da Groenlândia, uma das mais graves para as relações transatlânticas em anos.
Em uma coletiva de imprensa em Davos, o presidente finlandês, Alexander Stubb, disse que as ameaças de tarifas entre aliados são "inaceitáveis" porque "enfraquecem a relação transatlântica" e podem criar um ciclo vicioso.
Questionado se acreditava que Trump poderia usar a força, Stubb respondeu: "Não acho que os Estados Unidos vão assumir o controle da Groenlândia pela via militar".
A Dinamarca propôs que a Otan inicie operações de vigilância na Groenlândia.
T.Zimmer--NRZ