Neue Rheinischezeitung - Europa reage com indignação às declarações de Trump sobre papel no Afeganistão

Köln -
Europa reage com indignação às declarações de Trump sobre papel no Afeganistão
Europa reage com indignação às declarações de Trump sobre papel no Afeganistão / foto: © AFP

Europa reage com indignação às declarações de Trump sobre papel no Afeganistão

Países europeus reagiram com indignação, neste sábado (24), às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o compromisso dos aliados da Otan durante os 20 anos de conflito no Afeganistão, visão que o Reino Unido já classificou como “insultante”.

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Neste sábado, Itália, França, Dinamarca e Alemanha prestaram tributo aos seus soldados mortos e feridos durante o conflito no Afeganistão como parte da Otan.

Vários países europeus membros da Aliança Atlântica enviaram tropas ao Afeganistão a pedido da Casa Branca. Por isso, as críticas de Trump foram tão mal recebidas.

Em uma entrevista concedida na quinta-feira, Trump questionou o compromisso dos aliados e afirmou que muitos desses soldados se mantinham afastados da linha de frente.

“Prestemos homenagem aos 53 militares italianos mortos durante a missão no Afeganistão. E prestemos também homenagem aos 723 militares feridos”, escreveu na rede social X o chefe da diplomacia italiana, Antonio Tajani.

Por sua vez, o ministro italiano da Defesa, Guido Crosetto, afirmou no X o papel das tropas de seu país: “Não podemos nem queremos aceitar análises superficiais e equivocadas. De quem quer que seja”.

Enquanto isso, o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, lembrou o “pesado tributo” pago pelos soldados alemães no Afeganistão.

“Nosso exército estava pronto quando nossos aliados americanos solicitaram apoio após o atentado terrorista islamista de 2001”, declarou Pistorius em mensagem no canal de seu ministério no WhatsApp.

A Alemanha, disse ele, pagou “um pesado tributo por esse compromisso: 59 soldados e três policiais perderam a vida em combates, atentados ou acidentes”.

O ministro acrescentou que “muitos feridos ainda sofrem hoje as sequelas físicas e psicológicas daquele período”.

- “Intolerável” -

Enquanto isso, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, classificou como “intolerável” a visão do presidente americano.

“Entendo perfeitamente que os veteranos dinamarqueses tenham declarado que não há palavras que possam descrever o quão doloroso isso é”, escreveu a dirigente no Facebook.

“É intolerável que o presidente americano questione o compromisso dos soldados aliados no Afeganistão”, acrescentou.

Na França, o gabinete do presidente Emmanuel Macron afirmou que se tratavam de “declarações inaceitáveis”.

“Às famílias dos soldados mortos, o chefe de Estado deseja oferecer consolo e reiterar a gratidão e a memória respeitosa da nação”, acrescentou a equipe de Macron.

A Associação de Veteranos Dinamarqueses, por sua vez, disse sentir-se “sem palavras” diante das alegações de Trump.

“A Dinamarca sempre esteve ao lado dos Estados Unidos, e temos ido a zonas de crise em todo o mundo quando os Estados Unidos nos pediram”, afirmou a associação em comunicado.

Os veteranos dinamarqueses convocaram uma marcha silenciosa em Copenhague em 31 de janeiro para protestar contra as declarações do presidente americano.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reagiu asperamente às declarações de Trump.

“Considero as palavras do presidente Trump insultantes e, francamente, deploráveis, e não me surpreende que tenham causado tanta dor aos entes queridos daqueles que morreram ou ficaram feridos”, declarou Starmer às redes de televisão britânicas.

U.Brunner--NRZ