Ataques russos na Ucrânia deixam sete mortos
Moscou e Kiev trocaram ataques de larga escala durante a madrugada desta quinta-feira (22), que deixaram sete mortos na Ucrânia, poucas horas após o emissário dos Estados Unidos se reunir em São Petersburgo com o presidente da Rússia.
Após seu enviado Steve Witkoff se encontrar com Vladimir Putin, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que nunca se esteve "tão perto" do fim do conflito no coração da Europa.
O Kremlin, por sua vez, anunciou que, "a princípio", estava aberto a retomar as conversações trilaterais entre as partes beligerantes e os Estados Unidos.
Os ataques, no entanto, não cessaram durante a noite.
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, disse que duas pessoas ficaram feridas e 630 drones foram lançados contra a região, 163 direcionados contra a capital russa.
"A maioria foi destruída pelos sistemas de defesa antiaérea a uma distância considerável de seu alvo", escreveu Sobyanin nas redes sociais.
Outros 70 drones foram derrubados pela defesa antiaérea russa na região vizinha de Tula, segundo as autoridades.
No nordeste da Ucrânia, os ataques mataram um homem em Sumy e uma mulher em Kharkiv. Três pessoas morreram na região de Zaporizhzhia (sudeste), de acordo com as administrações militares regionais e a polícia.
Outras duas pessoas faleceram em Donetsk, segundo a administração militar da província do leste do país.
O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, publicou nas redes sociais que os bombardeios deixaram 15 feridos na capital, com oito pessoas hospitalizadas.
Witkoff viajou à Rússia após uma reunião com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, na terça-feira em Oslo. O objetivo do encontro era aparar arestas na disputa entre Trump e o líder ucraniano.
O genro de Trump, Jared Kushner, também participou de maneira remota das conversas com Putin.
O conselheiro do Kremlin, Yuri Ushakov, disse a jornalistas que a Rússia estava, "a princípio, disposta a retomar" as conversações trilaterais em meados de novembro, depois das cruciais eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
- Reunião trilateral sem Zelensky -
O Kremlin deseja concentrar as negociações na segurança do pós-guerra.
Putin, que ordenou a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, rejeitou sistematicamente conversações presenciais com Zelensky e insistiu que Moscou pretende tomar o restante do leste da Ucrânia.
Ushakov disse que Witkoff informou a Putin sobre "alguns novos aspectos nas abordagens dos europeus e de Kiev" a partir da reunião de Oslo, embora tenha acrescentado que "na realidade, não tinham muito conteúdo".
Também foi discutida a preparação de uma cúpula entre Putin, Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Shenzhen, no próximo mês, disse Ushakov, que classificou o encontro como "a primeira reunião do tipo na história".
Durante o encontro de três horas, Witkoff elogiou Putin por atender ao pedido de Trump de libertar o cidadão americano Stephen Hubbard, um professor de inglês aposentado, de quase 70 anos, que sempre negou as acusações de ser um "mercenário" que lutava pela Ucrânia.
"O senhor fala muito que o meu presidente, o presidente Trump, é um humanitário; o senhor também é um humanitário, senhor, e o parabenizo por isso", disse o enviado americano a Putin.
Witkoff destacou nas redes sociais que as conversas com o presidente russo foram "construtivas", mas que "ainda há trabalho importante por fazer".
As discussões continuarão entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia com a participação de equipes técnicas, acrescentou.
Trump voltou ao poder em janeiro de 2025 com a promessa de acabar com a guerra em 24 horas. Porém, mais de um ano de negociações lideradas pelos Estados Unidos não conseguiram avanços significativos. Dezenas de milhares de mortes foram registradas no conflito.
Nos últimos dias, um Trump cada vez mais frustrado deu uma nova guinada, ao se afastar da Ucrânia e se aproximar novamente de Putin. O americano anunciou um acordo para que a Rússia venda diesel aos Estados Unidos, com o objetivo de reduzir os preços, que dispararam devido à guerra contra o Irã.
Na Ucrânia, Zelensky disse que Kiev também apoia a retomada das conversações trilaterais.
"A parte americana propõe organizar esta reunião o mais rápido possível. Somos a favor", disse à imprensa.
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I.Schulz--NRZ